Câmara de Energia começa a montar planilha com entraves e soluções para o setor de gás do estado

Os membros da Câmara de Energia se reuniram nesta quinta (13/06) e iniciaram o esboço da planilha que identifica os entraves da cadeia de valor do gás natural no estado Rio de Janeiro e aponta possíveis soluções.

A apresentação feita pelo professor da UERJ Rodrigo dos Reis, reforça os gargalos legais e econômicos para o preço do gás como um dos principais limitadores para o crescimento do setor no estado.

 “Os estudos indicam que a questão tarifária e a desindustrialização têm grandes impactos no desenvolvimento do setor de gás fluminense. Existe um levantamento de 2021 que indica que várias empresas que ainda utilizam a energia elétrica poderiam ter migrado para o gás, mas não fazem em função do preço. Temos de pensar qual seria a estratégia de negócio para convencer as indústrias a aumentar o volume de produção de gás natural para garantir a nossa autossuficiência e atender os projetos”, frisou.

 Além do custo de produção, purificação e distribuição dos campos do Pré-Sal que viabilizem a comercialização do gás natural molécula em patamares mais baixos, Reis identificou outros entraves na distribuição e comercialização como a concorrência com outros energéticos substitutos. Entre eles estão a falta de clareza para a migração ao mercado livre, barreiras regulatórias, falta de acesso ao transporte e incertezas na precificação do gás natural.

“O desenvolvimento do arcabouço regulatório é condição primordial para o funcionamento pleno do Novo Mercado de Gás. Precisamos estabelecer regras de transição simples e urgentes, que possam contemplar todos os elos da cadeia. Regras claras à migração dos agentes livres e incentivo a atuação dos comercializadores”, salientou.

 Outro ponto levantado por ele foi a falta de mão de obra especializada para explorar o potencial da infraestrutura do antigo COMPERJ, em Itaboraí, no Leste Fluminense.

 “Existem oportunidades de especialização e qualificação profissional ligadas ao mercado de gás, permitindo um amplo aprendizado aos profissionais da indústria sobre especificidades da tecnologia do gás, inspeções técnicas de instalações de gás, normas pertinentes à inspeção, comissionamento de rede como também aparelhos a gás, imprescindíveis para capacitação dos trabalhadores dos diversos segmentos consumidores do gás”, observou.

 Para o representante do o conselho de energia e transição energética da associação comercial do Rio de Janeiro, Gabriel Kropsch, é essencial o posicionamento da Alerj junto ao Executivo, para que a legislação do gás avance na esfera estadual.

“Já mapeamos o potencial do estado para aproveitamento do biometano, que é de 1,5 milhões de m³ por dia. Nada menos do que metade do volume hoje do mercado de gás natural veicular. Temos de 13 projetos em andamento, apesar de não termos ainda uma legislação estadual específica em relação ao biometano e nenhum tipo de incentivo para determinadas aplicações. A geração a partir do biogás tem uma tributação superior a outras formas de geração de energia, o que é um contrassenso porque temos essa fonte aqui no nosso estado, com toda a cadeia produtiva no estado do Rio de Janeiro, Então, temos entraves que não são financeiros e nem de subsídios, mas regulatórios que podemos resolver para que possamos realmente escalar essa fonte”, concluiu.

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