3ª edição do "Mulheres que Impactam" aborda desenvolvimento de negócios de impacto por meio das instituições dinamizadoras

De um lado um clube criado para mulheres se empoderarem e utilizarem os contatos feitos ali para fazerem seus negócios crescerem. Do outro, uma cooperativa que trabalha com uma rede de turismo de base comunitária. Esses dois negócios de impacto social e ambiental foram apresentados na terceira edição do projeto “Mulheres que Impactam” realizado nesta quarta (25/05), que em comum dividem o fato de terem ganhado força ao serem acelerados por instituições dinamizadoras. Esse bate-papo completo mediado pela secretária-geral do Fórum da Alerj de Desenvolvimento Estratégico e coordenadora do Movimento Rio de Impacto, Geiza Rocha, pode ser assistido na íntegra pelo Youtube, clicando aqui.

“Sou fundadora do primeiro clube de network e parcerias para mulheres, que foca em auxiliar o desenvolvimento interpessoal de mulheres empreendedoras. A maioria das mulheres que estão empreendendo não tem habilidade em utilizar os contatos para fazerem seu negócio crescer”, conta Ellen Morais, do Kawaii Clube.

A ideia surgiu há um ano e meio, após procurar um grupo para fazer contatos visando ao crescimento do próprio negócio de acessórios.

“Não achava nada desse tipo, todos os grupos eram para vender alguma coisa e esse não era o meu propósito. Eu não tenho um curso e não vendo consultoria, eu faço parcerias. “Eu queria fazer parte de uma comunidade de empreendedoras para ensinar mulheres a pedir apoio e fazer parcerias para crescerem mais rápido. O clube não foi planejado, mas surgiu porque percebi que as mulheres tinham distorção do que é fazer networking. Hoje já temos um grande engajamento”, detalha.

O Kawaii Clube desenvolve o trabalho de forma virtual e realiza encontros presenciais na promoção de eventos como um happy hour mensal. Após entrar para Asplande, que tem como missão instrumentalizar as populações de baixa renda – especialmente grupos formados por mulheres chefes de família – para o planejamento, implementação e monitoramento de empreendimentos comunitários e cooperativos, Ellen pode participar de diversos cursos e aumentar ainda mais a sua rede de contatos. A partir daí seu empreendimento, que tem sede em São Paulo, realizou encontros presenciais também no Rio de Janeiro, onde tem um grupo forte.

Cooperativa Manguezais da Guanabara

De um edital do ICMBio em 2018, surgiu a cooperativa Manguezais da Guanabara. O chamamento da população local e o treinamento oferecido fez com que os moradores da região de Guapimirim identificassem o turismo de base comunitária como um dos caminhos para promover alternativas de trabalho e melhoria de qualidade de vida. A Área de Proteção Ambiental (APA) de Guapimirim é a primeira unidade de conservação federal criada para a proteção de manguezais no Brasil, localizada na Baía de Guanabara, na qual vivem populações que têm seu sustento estreitamente relacionado aos recursos naturais, mas que enfrentam dificuldades socioeconômicas.

“A gente trabalhava com o turismo invisivelmente. Esse projeto transformou os moradores em protagonistas, em que podemos contar quem somos nós e as nossas histórias e viver da pesca, artesanato, gastronomia, tudo que engloba esse turismo de base comunitária sem sair dali”, explica Jaqueline de Souza, que é uma das 20 pessoas que fazem parte da Cooperativa Manguezais da Guanabara, pertencente à Rede Nós da Guanabara.

A iniciativa foi uma das selecionadas para receber o capital semente do programa Natureza Empreendedora, da Fundação Grupo O Boticário. O projeto vai ao encontro dos objetivos estratégicos do Movimento Viva Água na Baía de Guanabara liderado também pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Comitê de Bacia da Baía de Guanabara, Instituto humanize, Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG) e o Sistema B. O movimento tem o propósito de fortalecer a segurança hídrica, promover a adaptação às mudanças climáticas e fomentar o empreendedorismo sustentável nos 17 municípios da região da bacia hidrográfica.

“Quando participamos do Natureza Empreendedora não tínhamos nem rede social ainda, e foi um programa de aceleração de verdade em que desenvolvemos o passo a passo, como precificação, redes sociais e trabalhamos a visibilidade do produto, que não sabíamos como divulgar. Hoje a gente ainda vive esse processo de construção contando a nossa história, no nosso lugar, fazendo o que sabemos fazer”, pontuou.

O roteiro contempla a observação dos botos-cinza, contemplação de aves, a visitação ao quilombo da região e a venda de produtos orgânicos.

No dia 06 de junho o programa Natureza Empreendedora abre as inscrições para a sua segunda edição.

“Tivemos uma grande participação feminina quando lançamos a iniciativa, e os três projetos selecionados para receber o capital semente eram liderados por mulheres. Vamos rodar agora a segunda edição e que será um pouquinho diferente. Teremos uma primeira jornada de troca e mentorias para todos os inscritos e na segunda fase iremos selecionar 15 negócios para o aperfeiçoamento e mentorias individuais desenvolvidas junto ao Sebrae. Continuaremos a premiar os três que mais se destacarem com o capital semente”, anunciou André Dias, da Fundação Grupo O Boticário.

A Roda de Conversa "Mulheres que Impactam” faz parte da agenda do movimento Rio de Impacto e foi proposta pela Asplande, que coordena a incubadora de negócios sociais Impacta Mulher, junto com a Rede Cooperativa de Mulheres Empreendedoras e agora também conta com o apoio do Movimento Viva Água.