Turismo pode ajudar artesanato em empreendedorismo social

A pandemia exigiu novos rumos para os negócios de impacto, principalmente para os que ainda estavam em processo de estruturação. A 10ª edição da Roda de Conversa, realizada nessa quinta-feira (27/05), reuniu duas mulheres à frente de empreendimentos do bem, que conversaram com a secretária-geral do Fórum e coordenadora do movimento Rio de Impacto, Geiza Rocha. No bate-papo elas abordaram as dificuldades enfrentadas com a crise da Covid-19 e as projeções para o futuro.

A Casa do Sol é um coletivo de atividades socioculturais, localizado em São José dos Lopes, distrito rural de Lima Duarte, Minas Gerais. A iniciativa, idealizada pela fundadora Leticia Nogueira, atende mais de 400 pessoas na região com capacitação para que tenham mais oportunidades e consigam permanecer na localidade, evitando o êxodo rural.

Atualmente o projeto é sede da ONG Recode, que oferece cursos de tecnologia e empoderamento digital, além de apoiar outras iniciativas locais. O espaço também sedia o Linha de Minas, que resgata a autoestima das mulheres por meio da produção de bordados e cestarias, valorizando a fauna e flora da região.

“A gente trilha o caminho da geração de renda e sustentabilidade para manter essa população no local, já que muitas vezes a área rural é relegada a um segundo plano. Nosso fomento vem principalmente do turismo, pela proximidade com o Parque Nacional do Ibitipoca”, conta Letícia.

Após o momento crítico de restrições impostas com a pandemia, a Casa do Sol já está com novos projetos, ampliando o escopo com o Ateliê de Cerâmica, para formar artesãos, a criação de uma biblioteca, além de oficinas de teatro e música.

“A pandemia foi um momento pra gente olhar pra dentro tanto pessoal quanto profissionalmente. Aproveitamos para nos organizar e o fato de sermos uma rede contribuiu bastante, já que o modelo de gestão compartilhada facilita a troca”, frisou.

Para a fundadora da Freda Acessórios Sustentáveis, Dayse Oliveira, 2020 foi um ano complexo. Impactada pela crise do coronavírus, ela viu a sua renda ficar comprometida com a suspensão das feiras para vender os seus produtos.

“Usei o tempo ocioso imposto pela pandemia para me preparar para esse novo momento, investindo em mais conhecimento. Aprendi mais sobre precificação, vendas nos canais digitais, áreas em que eu atuava pouco”, explica Dayse.

Além das bijuterias em tecido, ela agora está abrindo outras frentes e passou a trabalhar também com decoração com o material descartado pela indústria da moda.

“A zona de conforto acabou e não volta mais. Antes só vivíamos o presente e agora é necessário ter um olhar sempre no futuro”, disse.

A Roda de Conversa faz parte da agenda do Movimento Rio de Impacto e foi proposta pela Asplande, que coordena a incubadora de negócios sociais Impacta Mulher, junto com a Rede Cooperativa de Mulheres Empreendedoras.