Formação de redes e Educação

Em artigo publicado na edição nº 23 do jornal Capital Mercado & Negócios, a secretária-geral do Fórum, Geiza Rocha, comenta artigo do cientista político Eduardo Marques, da USP, sobre o tema e sugere, que quem circula mais e conhece pessoas de diferentes níveis sociais e formações possui mais informações. Leia na íntegra.

Por Geiza Rocha (*)

Para quem ainda não teve a oportunidade de ler, recomendo a entrevista publicada na página 70 da Revista Época nº 643, desta semana. Nela, o cientista político Eduardo Marques, da USP,  mostra que o conjunto das relações sociais dos indivíduos – as chamadas redes – pode ser mais importante que os anos de escola na hora de determinar se alguém terá emprego ou não.

Apesar de não desprezar a Educação – pelo contrário, ele afirma que o ensino superior constrói uma transição suave para uma rede ampliada em que a profissão é o forte, porque possibilita um maior acesso também a outras redes –, ele coloca as relações que construímos ao longo de nossa trajetória e os horizontes que elas nos abrem como um fator importante no desenvolvimento da carreira profissional. É a máxima de que aquele que circula mais e conhece pessoas de diferentes níveis sociais e formações possui mais informações e, com isso, mais oportunidades.

Como, então, ao responder ao desafio de universalizar a educação, é possível ampliar também os horizontes dos alunos e fazer com que eles aproveitem o ambiente escolar para conquistar amigos e mantê-los, aumentando suas possibilidades no futuro?

Talvez a resposta a este desafio esteja na tecnologia. Hoje é muito mais explícito e universal o conceito de rede – a difusão e o sucesso das redes sociais como Orkut, Facebook e Twitter ajudou neste processo. Tornou-se quase imperativo possuir um perfil nelas. Porque, então, não aproveitar a oportunidade que estas redes abrem e olhar para elas como espaços de relacionamento e de troca de informações, e não apenas como um repositório de pessoas que encontramos ao longo da vida?

Segundo Marques, enquanto um ano a mais na sala de aula aumenta em R$ 7 a renda mensal, um padrão de redes que ele define como pouco local e menos baseado em família e vizinhos, a chamada rede de “vencedor”, traz ao indivíduo R$ 59 a mais. Ora, no mundo globalizado, em que as tecnologias estão cada vez mais próximas de todos, talvez seja importante começar a considerar o fator relacionamento no desenho das políticas públicas de Trabalho e Renda promovendo um diálogo desta com a área da Ciência e Tecnologia.

É lógico que estes processos podem (e devem) ocorrer paralelamente. Mas é sempre bom lembrar que a universalização da Educação e o aumento do tempo de permanência do aluno na escola são prioridades. Se conseguirmos costurar estas duas coisas (Educação e formação de redes), porém, estaremos amplificando o poder que a primeira tem de promover a ascensão social e a melhoria da qualidade de vida da população.

* Geiza Rocha é secretária-geral do Fórum Permanente de Desenvolvimento Estratégico do Estado do Rio de Janeiro.

Artigo publicado originalmente na edição nº 23 do jornal Capital Mercado & Negócios.