Segurança hídrica do estado é debatida por Câmara de Desenvolvimento Sustentável

A recente crise da água no Rio de Janeiro acendeu um alerta para a ameaça à segurança hídrica do estado. Isso porque quase 8 milhões de habitantes dependem exclusivamente do abastecimento do Sistema Guandu. A Câmara de Desenvolvimento Sustentável do Fórum de Desenvolvimento do Rio se reuniu de forma remota nesta terça (07/04) para debater o tema com especialistas que abordaram o atual cenário e apresentaram soluções para o problema.

“A questão da segurança hídrica é séria e desconhecida da maioria da população do Rio de Janeiro. A água que bebemos vem do Rio Paraíba do Sul que passa por áreas muito industrializadas e por isso apresenta também muitos riscos de contaminação”, afirmou o professor da Fundação Getulio Vargas e presidente do conselho técnico da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), Haroldo Mattos de Lemos.

De acordo com o professor Adacto Ottoni, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador da área de engenharia sanitária e ambiental, dentre os principais gargalos na gestão hídrica fluminense estão o licenciamento ambiental e a fiscalização dos empreendimentos do setor. Já as soluções passam pela questão da sustentabilidade. “A grave crise que enfrentamos serve de cenário para mudarmos os paradigmas das políticas públicas, que precisam ser sustentáveis, trazendo soluções com abrangência, a um custo financeiro baixo e que também olhem para a questão social”, ressaltou Ottoni, que listou em sua apresentação cinco medidas para a sustentabilidade ambiental do abastecimento de água da região metropolitana.

Para ele, os investimentos a serem priorizados em busca da segurança hídrica devem contemplar melhorias no processo de licenciamento e fiscalização ambientais; desvio imediato dos rios Queimados e Ipiranga antes de chegarem à lagoa do Guandu; interceptação emergencial dos valões de esgoto e galerias de águas pluviais nas prefeituras que não dispõem de sistemas de esgoto sanitário exclusivamente nos trechos urbanos do Rio Paraíba do Sul, Guandu e afluentes; gestão com sustentabilidade ambiental para os esgotos sanitários e os resíduos sólidos urbanos; e reflorestamento das bacias hidrográficas dos rios Guandu e Paraíba do Sul.

                                                                     

Segundo o economista Isaque Ouverney, da Gerência de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), a falta de informação sobre o tratamento de esgoto em 26 dos 92 municípios fluminenses ainda é um entrave para a questão da água, principalmente para a indústria, que tem grande demanda por esse recurso, sendo um dos maiores consumidores. “Fica muito difícil pensar em políticas públicas sem esse tipo de informação”, disse Isaque que apresentou um estudo sobre a possibilidade de utilização de água de reúso por parte das indústrias que estão localizadas próximas às estações de tratamento de água como os conglomerados da Região Metropolitana, Sul e Norte fluminense.

O próximo encontro da Câmara de Desenvolvimento Sustentável está marcado para o dia 7 de maio, quando o grupo irá debater os avanços e desafios da agenda 2030 da ONU, que aborda os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. "Esse painel deixou claro a importância de mergulharmos na execução das metas definidas para cada ODS e refletir sobre como podemos trabalhar esse tema em âmbito estadual", defendeu a secretaria-geral do Fórum Geiza Rocha. O painel foi realizado ao vivo pelo canal do Fórum de Desenvolvimento do Rio no YouTube. Para assisti-lo na integra, clique aqui.

Acesse as apresentações:

Apresentação Isaque Ouverney - Firjan

Apresentação Prof. Dr. Adacto Ottoni - UERJ